quarta-feira, 2 de abril de 2014

De olho no horizonte


Quando você caminha de cabeça erguida demais, pode acabar não enxergando os amigos. É perigoso até acabar pisando em um ou outro. Muito injusto. 
Por outro lado, quando você anda de cabeça baixa demais, fica vulnerável aos golpes de gente oportunista, que não perderá a oportunidade de aproveitar seu descuido para acertar sua cara. Perigoso demais. 
Na minha visão, o ideal é caminhar olhando para a linha do horizonte, com a expectativa do que virá pela frente. Mas, ao mesmo tempo, sem nunca perder o foco do que o cerca.

O inferno são os outros


Engraçado como são as coisas. Dependendo do tipo de matéria que se veicula, como por exemplo, aquela que desvenda planos sórdidos e corruptos de manutenção do poder pelo partido ao qual uma pessoa pertence, um veículo de comunicação pode ser rotulado por essa pessoa como participante do "PIG - Partido da Imprensa Golpista". 
Já quando o escândalo abordado se refere ao partido do outro - que nem sempre é o outro, já que muitas vezes este é aliado daquele, que se juntou aos demais e todos formam uma festiva ciranda para poucos - aí o veículo está "cumprindo seu papel social". Suas manchetes podem até mesmo ser utilizadas em época de campanha eleitoral, como forma de atacar os "inimigos sazonais". Nessas temporadas, a empresa chega a sair da lista do PIG, de forma bastante conveniente.
Esse negócio de "sou corrupto, mas ele é muito mais" pega muito mal, principalmente num País onde ainda tem gente morrendo em corredores de hospitais, esperando por atendimento médico, ou vivendo nas ruas, aguardando por qualquer tipo de alívio, que nunca virá.
Os "antigos" é que estavam certos, em seus ditados bastante simples, mas cheios de razão: quem não deve não teme.


(30 de outubro de 2012)

Ausência presente


Hoje a ausência mais presente da minha vida completa quinze anos. Período em que um vazio sempre me acompanha, lembrado-me do que não posso ter. Quinze anos depois, queria nem que fossem só quinze minutinhos de conversa. Rapidinho mesmo, só pra situar como estão as coisas. Dizer um pouco daquilo que aprendi nesse tempo. Contar que estamos lutando todo dia, mas seguimos bem. Papear um pouquinho sobre a Ferroviária, sobre Araraquara, sobre minha trajetória profissional, sobre tanta vida que nos sobreveio nessa década e meia. Pedir um ou outro conselho. Falar um pouquinho daquilo que às vezes tenho vontade de dizer e não sei bem pra quem, até que essa ausência me lembre novamente quem deveria me escutar. Extravasar um pouco tudo que calei, sempre que esse sentimento me pegou de surpresa. Queria dizer de novo que te amo, pai. Só mais uma vez.

(23 de junho de 2013)

Breaking Bad e o despertar da mortalidade


Há exatos dois meses (*), assinei o Netflix e passei a acompanhar a série norte-americana Breaking Bad, que foi filmada a partir de 2007 na cidade de Albuquerque, Novo México, e teve seu último episódio veiculado no canal AMC neste domingo. 
Considerada por muitos dos 7 milhões de espectadores que acompanharam os últimos dois episódios como o melhor seriado de TV de todos os tempos, ele reúne elementos que dão pistas do porquê de tanto sucesso.
Eu havia assistido um ou outro episódio na televisão e gostado da premissa da série, mas a comodidade de ver os episódios na ordem em que foram produzidos e no momento mais apropriado, me propiciou uma verdadeira experiência de imersão, até alcançar em tempo real os últimos capítulos das aventuras de Walter White, um pacato professor de química que, aos 50 anos, descobre um câncer de pulmão e passa a cozinhar meta-anfetamina com um ex-aluno, sob o pretexto inicial de deixar um “pé-de-meia” para a família.
À época em que comecei a assistir estava passando por quase os mesmos dilemas filosóficos de White, mas, desconfio que o segredo do sucesso desse seriado é que quase cada um dos telespectadores pode dizer o mesmo.
No caso de White, a angústia extrema vem porque se vê à beira da morte em uma idade em que quase nada será possível mudar em seu futuro e, ao olhar à sua volta, enxerga uma vida medíocre de classe média e um passado que o amargura com a ideia de que poderia ter aproveitado melhor seus talentos, para poder deixar sua família em condições financeiras mais favoráveis.
O que, para piorar o quadro, não aconteceu por muito pouco, já que o mal pago professor de química White vendeu anos atrás por míseros 10 mil dólares sua parte em uma empresa que mais tarde valeria muitos bilhões de dólares.
Ao ver a face da morte lhe sorrindo bem de perto, e a vida fazendo muito pouco sentido - além do fato de ter uma esposa, um filho adolescente deficiente físico e um novo bebê a caminho -White abre mão de qualquer senso de moralidade e escolhe aquilo que parece mais lógico no momento: utilizar seus talentos como químico para ganhar dinheiro produzindo e vendendo a melhor meta-anfetamina possível, associando-se ao ex-aluno Jesse Pinkman, já iniciado no mundo do crime.
Nos primeiros dois episódios, a maior parte da graça da série vem justamente da “química” entre os dois personagens, com o perdão do trocadilho infame, porém inevitável. O professor pacato e caretão de meia-idade ao lado do moleque fã de hip-hop, viciado no produto que fabrica e que só fala em forma de gíria, um fornecendo ao outro o tipo de conhecimento que lhe falta.
E que vai transformando os personagens, até o ponto em que o professor White, ou Heisenberg, como fica conhecido no submundo das drogas, descobre ser outra pessoa, como se seu verdadeiro talento estivesse o tempo todo escondido debaixo das vestes de pai de família anestesiado pela rotina da vida. Por sua vez, Pinkman vai mudando também ao longo das aventuras da dupla, ao ponto de perceber-se quase o oposto do bandido no qual seu parceiro se transformou.
Tudo isso adornado por atuações impecáveis, fotografia primorosa e trilha sonora sensacional.
Pelo menos para a maior parte dos telespectadores, não será necessário um mergulho no mundo do crime para que descubra seus talentos escondidos e promova uma guinada em direção a uma vida menos ordinária, antes de um dia realmente se dar conta de sua mortalidade. Mas a lição deixada pelo professor White, brilhantemente interpretado pelo ator Bryan Cranston e genialmente idealizado por Vince Gilligan, criador e roteirista da série, é muito clara: Viva livremente. Ou morra.


(*) Texto de 30 de setembro de 2013.

Donatão


Eu e o saudoso Donatão - como sempre - falando alguma merda e nos divertindo na redação do jornal O Imparcial. Em 2001, 2002, por aí.

Coração Safado

















Meu coração
Bobo demais
É um coração coitado
Meu coração
Besta demais
É um coração safado
Chora demais
Sofre demais
Vive atormentado
Gosta do amor
Tem medo do amor
É um coração pirado
Canta, coração
Chora, coração
Pobre coração
Como se perdeu
O amor é muito louco, doido
E eu te avisei

(Reginaldo Rossi - 1943-2013)

A tartaruga é ninja



Por que a tartaruga vive 200 anos? Não fala mal de ninguém, não escuta nada e não disputa nenhuma corrida. Vai no ritmo dela. Só quer saber da própria vida.