Ser
irremediavelmente perfeccionista quando se é imperfeito e se vive em um mundo
de imperfeições é a fonte de milhares de ansiedades, angústias e atos
conscientes ou inconscientes de autoflagelo, em maior ou menor grau. A busca do
equilíbrio exato entre aceitar-se errado e seguir tentando ser correto também
traz sofrimento. É por isso que precisamos fugir. Música, literatura, cinema,
esportes, trabalho, drogas, religião, moda, estudos, violência, viagens,
caridade ou sexo. Qualquer maneira de nos afastarmos de nós
mesmos, um pouco que seja, alivia a tensão por sermos como somos.
sexta-feira, 27 de março de 2015
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Cinismo e fé
Uma das principais armadilhas do mundo, na qual quase todos caímos, é nos tornar cínicos. Com o passar dos anos, essa é a tendência, até para que possamos sobreviver nessa sociedade doente. Mas o nível de cinismo não pode se sobrepor ao que é essencial. Caso contrário, essa visão demasiadamente sombria do mundo nos faz ficar cegos para aquilo que nos fez sonhar por tanto tempo, porque um dia deixamos de esperar. Para que possamos notar os pequenos milagres, é preciso acreditar neles. A vida presenteia quem tem fé.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Humildade
Humildade é aceitar com serenidade quando o despertador toca de manhã, com a consciência de que qualquer grande alegria ou tragédia pode acontecer a partir do momento em que nos levantarmos.
Humildade é aceitar quando uma pessoa que amamos morre como um fato da vida que não nos torna mais desgraçados que ninguém, mas, pelo contrário, nos alinha aos outros humanos.
Humildade é aceitar que estamos ficando velhos, manejando as limitações que vêm com o passar dos anos com a mesma sabedoria com que um dia desfrutamos das vantagens da juventude.
Humildade é saber parar de chorar e saber quando não rir. É ter capacidade de ouvir por saber que, em alguns momentos, falar é menos importante que acolher as necessidades de um irmão, mesmo que elas batam de frente com aquilo que você mesmo precisa naquele momento.
Humildade é ter a capacidade de lidar com sentimentos que vêm de lugares escondidos de nossa alma, e que nos obrigam a tomar decisões que não se adequam a debates públicos, pois cabem única e exclusivamente a nós.
A humildade nos ampara na hora da alegria e na hora da tristeza. Nos ajuda a entender a dor e a vivenciar o prazer. Humildade nos ajuda a viver.
Humildade é aceitar quando uma pessoa que amamos morre como um fato da vida que não nos torna mais desgraçados que ninguém, mas, pelo contrário, nos alinha aos outros humanos.
Humildade é aceitar que estamos ficando velhos, manejando as limitações que vêm com o passar dos anos com a mesma sabedoria com que um dia desfrutamos das vantagens da juventude.
Humildade é saber parar de chorar e saber quando não rir. É ter capacidade de ouvir por saber que, em alguns momentos, falar é menos importante que acolher as necessidades de um irmão, mesmo que elas batam de frente com aquilo que você mesmo precisa naquele momento.
Humildade é ter a capacidade de lidar com sentimentos que vêm de lugares escondidos de nossa alma, e que nos obrigam a tomar decisões que não se adequam a debates públicos, pois cabem única e exclusivamente a nós.
A humildade nos ampara na hora da alegria e na hora da tristeza. Nos ajuda a entender a dor e a vivenciar o prazer. Humildade nos ajuda a viver.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Malcolm
Quando John Lennon morreu eu tinha 10 anos. Senti sua morte, mas de forma diferente, pois não conhecia sua obra ainda. Pelo contrário: a morte de Lennon foi o que me fez gostar de música. Ao sentir a comoção mundial em torno de sua perda, fui correr atrás de saber quem eram os Beatles e isso fez com que começasse a gostar de rock. Atrás dos Beatles vieram AC/DC, Iron Maiden, Black Sabbath, Rush, Deep Purple, Led Zeppelin e todas as outras bandas que amo. Por causa da morte de Lennon eu enchi o saco do meu pai até ele comprar minha primeira bateria, quando tinha 15 anos. Foi a partir daquela perda que eu frequentei festivais, toquei, fiz amigos, bebi até ver o sol nascer, chorei e sorri ouvindo música e tenho certeza que morrerei surdo e feliz. Portanto, senti muito a morte dele, mas de uma maneira que mudou minha vida, me deu alegrias e não tristeza.
A outra morte de um artista do rock que me deu um baque grande foi a do vocalista Ronnie James Dio, em 2010. Essa foi a morte que me fez encarar que meus ídolos estão envelhecendo. Que eles são imortais em suas obras, mas que uma hora ou outra todos acabarão dando adeus a esse mundo doente, mas que se tornou muito mais habitável por causa de seus talentos.
O terceiro grande choque veio este ano, com a doença do guitarrista, fundador e principal compositor do AC/DC, Malcolm Young, que sofre de demência e está fora da banda. Quem vê seu irmão Angus Young no palco pode se enganar, mas foi Malcolm o mentor do grupo e ele é o autor dos riffs mais nervosos do rock and roll. Foi ele quem pensou "ei, meu irmão de 16 anos toca muito e é um louco performático, vamos colocá-lo na banda?". Ele é o cara por trás da maior entidade do hard rock em todos os tempos. Ele é o responsável por muita coisa, nas vidas de tanta gente.
O grupo vai lançar disco novo e sair em turnê, com o sobrinho Steve Young em seu lugar. Acho justo, tanto com o público quanto com o legado da banda. Alivia um pouco a tristeza. Dá esperança de ainda termos boa música pela frente, até que todos eles se vão. E nos lembra que, mesmo depois de suas mortes ou da minha morte, o som continuará. Eternamente. Enquanto existirem garotos de dez ou doze anos, cheios de hormônios e de adrenalina pra queimar, lá estará rolando AC/DC, Black Sabbath, Beatles ou qualquer outro som legal. Lá estarão Lennon, Dio, Malcolm e todos os outros. Let There Be Rock!
A outra morte de um artista do rock que me deu um baque grande foi a do vocalista Ronnie James Dio, em 2010. Essa foi a morte que me fez encarar que meus ídolos estão envelhecendo. Que eles são imortais em suas obras, mas que uma hora ou outra todos acabarão dando adeus a esse mundo doente, mas que se tornou muito mais habitável por causa de seus talentos.
O terceiro grande choque veio este ano, com a doença do guitarrista, fundador e principal compositor do AC/DC, Malcolm Young, que sofre de demência e está fora da banda. Quem vê seu irmão Angus Young no palco pode se enganar, mas foi Malcolm o mentor do grupo e ele é o autor dos riffs mais nervosos do rock and roll. Foi ele quem pensou "ei, meu irmão de 16 anos toca muito e é um louco performático, vamos colocá-lo na banda?". Ele é o cara por trás da maior entidade do hard rock em todos os tempos. Ele é o responsável por muita coisa, nas vidas de tanta gente.
O grupo vai lançar disco novo e sair em turnê, com o sobrinho Steve Young em seu lugar. Acho justo, tanto com o público quanto com o legado da banda. Alivia um pouco a tristeza. Dá esperança de ainda termos boa música pela frente, até que todos eles se vão. E nos lembra que, mesmo depois de suas mortes ou da minha morte, o som continuará. Eternamente. Enquanto existirem garotos de dez ou doze anos, cheios de hormônios e de adrenalina pra queimar, lá estará rolando AC/DC, Black Sabbath, Beatles ou qualquer outro som legal. Lá estarão Lennon, Dio, Malcolm e todos os outros. Let There Be Rock!
Se matasse...
Tenho poucos arrependimentos. Muito poucos, quase nenhum. Um deles é não ter visto o Ramones ao vivo quando tive oportunidade. Sim, sou superficial assim mesmo.
Beleza
Só pra lembrar que a atriz francesa Brigitte Bardot, que completou 80 anos no dia 28 de setembro de 2014, é uma das mulheres mais belas que já colocou seus pezinhos neste planeta.
Titularidade
Já entrei em campo e acabei com o jogo, fiz golaço, dei chapéu e tudo. Também já fiz muito gol contra. Mas, em todas as vezes, jogando como titular. Sentar no banco de reservas não é meu forte. Evidentemente, não estou falando de futebol.
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