sexta-feira, 19 de junho de 2015
Escolha
Mais cedo ou mais tarde tudo na vida, inclusive
ela própria, cumpre seu ciclo e deixa de existir. Desde o brinquedo que acabou
de sair da caixa brilhando, cheio de promessas de diversão, mas um dia perde o
viço e é deixado num canto, até um relacionamento que parecia eterno e termina
em desapontamento e mágoas ou simplesmente se esvai lentamente. Tudo uma hora
morre. Quando se viveu o suficiente para ter essa clareza, restam dois caminhos
a escolher: Passar os dias constantemente amargurado, sempre antecipando a
perda daquilo que se tem ou valorizar ainda mais o presente, para que no amanhã
não sobre nenhuma sensação de que tudo poderia ter sido melhor aproveitado.
Perdas e Danos
A vida é feita basicamente disso: As perdas que
sofremos ao longo do caminho e a maneira como gerenciamos os danos que elas nos
causarão dali em diante.
Ainda
Ainda há tempo pra tudo. A
hora de desejar só termina com o último suspiro. Ainda há segredos a serem
descobertos. A novidade só cessa quando fechamos os olhos pela última vez.
Ainda há tempo.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Saindo de campo
E todos os jogadores
deixaram o gramado, um a um, conscientes de que acertaram algumas jogadas e
deram também uma ou outra canelada. Certos de que a partida foi disputada com
honestidade, palmo a palmo, ainda que lesões tenham ocorrido de lado a lado. No
entanto, nada proposital. Faz parte do jogo. Nada que vá atrapalhar o
desempenho dos atletas em futuras jornadas. Agora, é colocar bastante gelo nos
hematomas, pensar em todas as falhas de posicionamento e execução e, de cabeça
erguida, pensar na próxima rodada.
A palavra
A palavra tem força. Ela sai do coração, varrendo artérias, vencendo obstáculos, destruindo inibições, contradizendo preconceitos, catalisando sentimentos, jorrando conceitos, antedizendo ações, edificando pontes e formalizando intenções. Nós somos a palavra e a palavra somos nós.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Estreias
Nada é tão prazeroso na vida quanto fazer algo ou sentir uma experiência pela primeira vez. Mas, e quando você ainda tem "primeiras vezes" aos 43 anos? Não é uma idade em que já deveríamos ter feito e sentido tudo? Ou as estreias são eternas?
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Crepúsculos
Um dia. E outro. E depois mais outro. Vamos tropeçando nos dias. Sendo soterrados por eles. Alguns machucam. Outros são mais leves. Dias hostis e dias amigos vão se misturando, nos preenchendo, nos transformando naquilo que somos. Um dia achamos que vamos explodir, que os dias não cabem mais em nós. Ficamos com medo e achamos que não suportaremos mais nenhum, não queremos mais viver na expectativa de experimentar os dias pesados que virão. Mas aí lembramos dos dias leves e, repentinamente, ficamos receptivos de novo. Queremos mais e mais dias e achamos que a quantidade de dias que teremos, no final das contas, ainda será pouca para saciar nossa vontade de tê-los todos. Em alguns dias, somos amanhecer. Em outros, entardecemos.
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