domingo, 5 de julho de 2015

Sonho x Realidade no mundo da música pop

“As pessoas afetivamente mais infelizes que conheço são as que mais gostam de música pop; e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo suas vidas infelizes”.
A frase do livro Alta Fidelidade, do escritor inglês Nick Hornby, lançado em 1995 e adaptado para o cinema cinco anos depois, joga um pouco de luz em uma zona obscura, assim como é obscura a vida do personagem principal, Rob, que é dono de uma loja de discos e gosta de passar o tempo fazendo listas. São listas de músicas, de empregos dos sonhos e dos “foras” mais dolorosos que recebeu em sua vida.
Quando se dispõe a enumerar as cinco mulheres que mais fizeram com que seu coração doesse após a separação, sempre deixa de fora Laura, querendo provar a si mesmo que ela não foi uma das paixões mais importantes de sua vida.
No entanto, a incoerência é que Laura sempre acaba se mostrando protagonista das histórias de Rob, enquanto ele tenta provar aos leitores e a si mesmo que sua vida está bem mais feliz agora, longe da namorada que o abandonou por um vizinho do andar de cima do apartamento onde moravam.
Dessa forma, o livro gira em torno da dificuldade de Rob em encarar que Laura era a oportunidade que ele tinha de começar a viver uma vida adulta, em oposição à sua rotina de lidar com os adolescentes que frequentam sua loja, incluindo seus dois empregados, com quem conversa sobre música o tempo inteiro.
Aos 30 e poucos anos, triste, falido, sem namoradas e rodeado de músicas que remetem à vida a dois que mantinha com Laura, o protagonista do livro começa a se sentir saudosista em relação a uma vida que considerava o oposto daquilo que sempre teve como o ápice da liberdade, já que ser dono de uma loja de discos era a quinta opção em sua lista de empregos dos sonhos.
Ao longo do livro, as reflexões de Rob sobre suas namoradas vão fazendo com que ele perceba que a vida de solteiro que tanto tenta se convencer de que é a melhor que poderia viver não passa de uma fantasia. E que o convívio com sua ex-namorada Laura, na verdade, foi o que colocou um sorriso em seu rosto durante cinco anos de convivência.
Eventualmente, Rob e Laura acabam voltando e a vida passa a se materializar para ele, como se tudo o que sempre sonhou não fizesse o menor sentido longe da sua mulher. As músicas, a tristeza que permeia grande parte da cultura pop e a vida sem limites e sem amarras que Rob sempre sonhou passa, então, a fazer parte do passado. Da época em que ele era apenas um ensaio, um rascunho. Uma sombra do homem feliz que se tornaria depois.
Ao final, Rob torna-se consciente de que não é preciso viver a infelicidade para apreciar toda a obra deixada por artistas que sofreram. Eles não sofreram para que seus admiradores sofressem da mesma maneira e sim percebessem que viver a vida em lágrimas não vale a pena.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Da vaidade ao pó

Com o passar dos anos, na mesma proporção em que nossos corpos vão perdendo o viço da juventude, a cabeça vai trabalhando no mesmo sentido, e vamos deixando para trás as vaidades tolas. A roupa cara, o carro do ano, as atitudes exibicionistas e os lampejos de egocentrismo vão ficando pelo caminho, como se fossem malas atiradas ao chão. Pouco a pouco, nos livramos da bagagem pesada demais para suportar, que nos atrapalha a caminhada. Vai ficando só o que é realmente importante. Até que sobre apenas a essência. No final, todo o resto vira, literalmente, pó.

sábado, 20 de junho de 2015

Balão

Liberdade não é balão solto no ar, perdido, correndo risco de estourar. Liberdade é balão que dança ao vento, mas tem pra onde voltar. É se mover pelo mundo inteiro e saber que há porto onde atracar. E que nem tempo e nem espaço o irão tocar. Porque o vento que leva também o trará de volta.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vivendo na rede

A internet em geral, e as redes sociais em particular, vêm se tornando ferramenta cada vez mais comum para as pessoas exporem suas angústias e suas alegrias. É a tese do filósofo MacLuhan, segundo a qual "o meio é a mensagem", em sua forma mais viva. A facilidade de se expressar de maneira instantânea frequentemente faz com que as pessoas se coloquem nuas diante de milhares de estranhos, devido à sua ansiedade de se comunicar, colocar para fora aquilo que estava gritando dentro delas, e que acham que o mundo também deveria ouvir. 
Não é necessário mais dirigir quilômetros, levar uma carta ao correio ou dar um telefonema para expor ideias. Uma mensagem bem colocada no Facebook repercute mais do que um outdoor exposto durante 15 dias num ponto mal escolhido ou um artigo publicado em jornal de pequena circulação. 
Essa facilidade de se externar ideias mostra o lado bom e o ruim do ser humano, refletindo exatamente o que acontece na vida real. Tanto aqui como lá, podemos encontrar frivolidade, maldade e preconceito, assim como sensibilidade, solidariedade e poesia. Todo o espectro de cores com as quais fomos desenhados está em um e no outro espaço. Apenas ficou mais fácil demonstrar o que somos, seja para o bem ou para o mal. 
Mesmo os que sentem necessidade de vender aquilo que não são, também o fazem aqui fora. Em alguns casos, a rede pode até mesmo ajudar a desvendar algumas farsas, revelando muito sobre seus autores.
Tem muita gente na internet mostrando sua face mais sórdida, mas, isso eu vejo de longe, pois a maioria não está na minha "lista de amigos", seja aqui dentro ou lá fora. Do meu ponto de vista, enxergo essencialmente muitas pessoas procurando recomeçar e ansiando por um futuro melhor, ainda que entre um bocado de lágrimas e uma ou outra onda de desânimo. Em outras palavras, gente que está vivendo.

Sobre (im)perfeição

Um dia acabamos aceitando que não vai existir hora nenhuma em que não estaremos cometendo algum tipo de falha, seja em qual for a área de nossa vida. Ninguém vai estar ao mesmo tempo completamente satisfeito com sua vida profissional, sentimental, intelectual, etc, etc, etc, o que é bom, porque a insatisfação nos mantêm caminhando. 
É a lei da natureza: Se concentro minhas energias nesse setor aqui, perco um pouco naquele ali e assim por diante. Alguma coisa sempre escapa quando temos pratos demais rodando em nossas varetas de malabarista. Não podemos controlar tudo. Acharia muito estranho se alguém dissesse que está completamente feliz em todas as áreas de sua vida e que não mudaria absolutamente nada em lugar nenhum.
Quando nos resignamos com essa condição de entes imperfeitos e nos perdoamos por isso, podemos parar de esperar que todos os planetas estejam alinhados e que cada pedacinho de nossa vida esteja funcionando na mais completa ordem para que, aí sim, possamos finalmente ser felizes. 
Passaremos a acolher pequenos momentos de felicidade sem fazer cara de quem recebeu uma esmola, só porque a maravilha que imaginávamos que a vida deveria ser não vai acontecer. Nos cobraremos menos e perceberemos que nossa caminhada se faz assim, um dia de cada vez, sem planos mirabolantes, ou pelo menos sem que tudo pare se eles não derem certo. E com uma ou outra besteira sendo cometida por essa gente defeituosa que somos.

Pertencimento

Há mais ou menos 20 anos, um amigo sempre vinha com conversa fiada de que queria morrer, ia se matar, etc... Do alto de minha "sabedoria" de vinte e poucos anos, um dia lhe disse que não poderia se matar, porque sua vida não pertencia somente a ele. Foi o melhor que pude fazer. Falei que a maior parte dele pertence às pessoas que o amam e que ficariam arrasadas se fizesse aquilo. E, por isso, não tinha direito de tirar a própria vida. Tanto tempo depois, vejo que o raciocínio não deixa de fazer sentido. Se alguém põe um revólver na sua cabeça, por exemplo, você logo diz ao bandido que tem uma filha, uma mulher, uma mãe, um amigo, um cachorro ou sei lá mais quem que precisa de você. É por isso que as pessoas querem ficar vivas, umas pelas outras. Afinal, quem não tem ninguém vai ficar fazendo o que aqui?

Idade

Não importa qual seja a sua idade, nunca diga que está velho demais para qualquer coisa. Dez anos depois, você sempre se arrepende.