quarta-feira, 13 de maio de 2015
Crepúsculos
Um dia. E outro. E depois mais outro. Vamos tropeçando nos dias. Sendo soterrados por eles. Alguns machucam. Outros são mais leves. Dias hostis e dias amigos vão se misturando, nos preenchendo, nos transformando naquilo que somos. Um dia achamos que vamos explodir, que os dias não cabem mais em nós. Ficamos com medo e achamos que não suportaremos mais nenhum, não queremos mais viver na expectativa de experimentar os dias pesados que virão. Mas aí lembramos dos dias leves e, repentinamente, ficamos receptivos de novo. Queremos mais e mais dias e achamos que a quantidade de dias que teremos, no final das contas, ainda será pouca para saciar nossa vontade de tê-los todos. Em alguns dias, somos amanhecer. Em outros, entardecemos.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Copo d'água
Todo mundo morre com
pendências. Viver é fazer planos, nem que seja dar uma volta no quarteirão ou
ir à cozinha tomar um copo d'água. Todos que morrem deixam pra trás o
nascimento de um neto, a conquista de seu time ou um gole d'água. Depois da
morte, todas as não conquistas têm igual valor. Todos os planos estarão
igualmente desfeitos. Todas as pendências serão eternas. Há que se degustar
cada gota dessa água, antes que ela seque.
sexta-feira, 27 de março de 2015
A lição do tempo
O tempo nos ensina a amar. O tempo ou a
insuficiência dele. Quando começamos a perceber que não somos imortais como pensávamos
ser anos atrás, passamos a dar menos importância ao que não é amor. Um
presentinho bobo que sua mãe lhe traz da rua hoje significa imensamente mais do
que há duas décadas. Naquela época, riríamos e o jogaríamos de lado. Mas hoje
ela tem 80 anos. Então, seguramos o presente e o guardamos em local seguro,
como se fosse uma boia que nos salvará da dor inevitável da perda, o símbolo da
eternidade que desejamos e nunca teremos. Conforme vão passando os anos, o
tempo vai ensinando-nos a dar o valor devido à família, aos amigos e aos amores.
A quem amamos e a quem nos ama. Ele nos ensina que o único motivo pelo qual
estamos aqui é para amar. Porque amanhã ou depois, quando estivermos mortos, nenhuma
vaidade, nenhum orgulho, nada do que não seja amor nos definirá. Só o amor nos
guiará em direção à eternidade.
Diluição
Em alguns dias
podem me ver triste. Mas alguns dias diluídos na grande alquimia da vida apenas
quebram a monotonia de um quadro que é tudo, menos monocromático. E que, na
conclusão da obra, será tudo, menos triste.
Perfeição
Ser
irremediavelmente perfeccionista quando se é imperfeito e se vive em um mundo
de imperfeições é a fonte de milhares de ansiedades, angústias e atos
conscientes ou inconscientes de autoflagelo, em maior ou menor grau. A busca do
equilíbrio exato entre aceitar-se errado e seguir tentando ser correto também
traz sofrimento. É por isso que precisamos fugir. Música, literatura, cinema,
esportes, trabalho, drogas, religião, moda, estudos, violência, viagens,
caridade ou sexo. Qualquer maneira de nos afastarmos de nós
mesmos, um pouco que seja, alivia a tensão por sermos como somos.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Cinismo e fé
Uma das principais armadilhas do mundo, na qual quase todos caímos, é nos tornar cínicos. Com o passar dos anos, essa é a tendência, até para que possamos sobreviver nessa sociedade doente. Mas o nível de cinismo não pode se sobrepor ao que é essencial. Caso contrário, essa visão demasiadamente sombria do mundo nos faz ficar cegos para aquilo que nos fez sonhar por tanto tempo, porque um dia deixamos de esperar. Para que possamos notar os pequenos milagres, é preciso acreditar neles. A vida presenteia quem tem fé.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Humildade
Humildade é aceitar com serenidade quando o despertador toca de manhã, com a consciência de que qualquer grande alegria ou tragédia pode acontecer a partir do momento em que nos levantarmos.
Humildade é aceitar quando uma pessoa que amamos morre como um fato da vida que não nos torna mais desgraçados que ninguém, mas, pelo contrário, nos alinha aos outros humanos.
Humildade é aceitar que estamos ficando velhos, manejando as limitações que vêm com o passar dos anos com a mesma sabedoria com que um dia desfrutamos das vantagens da juventude.
Humildade é saber parar de chorar e saber quando não rir. É ter capacidade de ouvir por saber que, em alguns momentos, falar é menos importante que acolher as necessidades de um irmão, mesmo que elas batam de frente com aquilo que você mesmo precisa naquele momento.
Humildade é ter a capacidade de lidar com sentimentos que vêm de lugares escondidos de nossa alma, e que nos obrigam a tomar decisões que não se adequam a debates públicos, pois cabem única e exclusivamente a nós.
A humildade nos ampara na hora da alegria e na hora da tristeza. Nos ajuda a entender a dor e a vivenciar o prazer. Humildade nos ajuda a viver.
Humildade é aceitar quando uma pessoa que amamos morre como um fato da vida que não nos torna mais desgraçados que ninguém, mas, pelo contrário, nos alinha aos outros humanos.
Humildade é aceitar que estamos ficando velhos, manejando as limitações que vêm com o passar dos anos com a mesma sabedoria com que um dia desfrutamos das vantagens da juventude.
Humildade é saber parar de chorar e saber quando não rir. É ter capacidade de ouvir por saber que, em alguns momentos, falar é menos importante que acolher as necessidades de um irmão, mesmo que elas batam de frente com aquilo que você mesmo precisa naquele momento.
Humildade é ter a capacidade de lidar com sentimentos que vêm de lugares escondidos de nossa alma, e que nos obrigam a tomar decisões que não se adequam a debates públicos, pois cabem única e exclusivamente a nós.
A humildade nos ampara na hora da alegria e na hora da tristeza. Nos ajuda a entender a dor e a vivenciar o prazer. Humildade nos ajuda a viver.
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